Mirelle Pinheiro

PF deflagrou a oitava fase da operação nesta quinta-feira (15/10). O delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual da PCRJ também foi preso

Mirelle Pinheiro, Letícia Guedes
15/10/2026 07:39, atualizado 15/10/2026 07:53
Reprodução
A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta quinta-feira (15/10), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito pelo Rio de Janeiro (RJ), e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do RJ (PCERJ). Ao todo, seis investigados foram presos.
Preso em julho deste ano ao ser flagrado com um fuzil durante operação, Canella foi o segundo deputado estadual mais votado no RJ, com 197.178 votos.
Na ação policial desta quinta-feira (15/10), policiais federais cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados contra os policiais civis investigados.
A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Desse total, 96 são postos de combustíveis que, segundo a PF, foram utilizados para camuflar e legalizar os recursos de origem criminosa.
As investigações
De acordo com as investigações, o esquema investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à Polícia Federal.
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Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.
Segundo a PF, a ação desta quinta-feira (15/10) faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela corporação para desarticular organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro. A operação segue as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, tema de uma reunião realizada em 6 de outubro entre a direção-geral da PF e o ministro Alexandre de Moraes.
Unha e carne
A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025 para investigar um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o Comando Vermelho (CV).
Com o avanço das apurações, a Polícia Federal ampliou o foco da investigação e passou a apurar uma rede de proteção ao crime organizado, que incluiria agentes públicos, parlamentares, integrantes do Judiciário e operadores financeiros.
Durante a 5ª fase da operação, a PF prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por suposta ligação com a chamada Máfia do Cigarro.
Na mesma etapa, a Justiça também decretou a prisão do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio, e do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estava preso.
Na 6ª fase, o político era alvo de busca e apreensão, mas acabou preso após os investigadores encontrarem um fuzil em situação irregular. Segundo a PF, o fuzil .556 estava no interior de um veículo pertencente a Canella
As etapas anteriores também tiveram como alvo o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, investigado por suposto vazamento de informações sigilosas, além do deputado estadual Thiago Rangel, preso sob suspeita de participação em fraudes envolvendo contratos da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.


