O ponto que a bússola segue no hemisfério norte não fica parado há décadas. Ele saiu do Ártico canadense e caminha, ano após ano, rumo à Rússia. Esse deslocamento do Polo Norte magnético já soma mais de 2.250 quilômetros desde que foi registrado pela primeira vez, no século 19. A distância parece só curiosidade geográfica, mas obriga agências de todo o mundo a recalibrar sistemas de navegação usados por aviões, navios e celulares.

Por que o Polo Norte magnético se move?

Ele se move porque não é um ponto fixo como o polo geográfico. O campo magnético da Terra nasce do movimento de ferro líquido no núcleo externo do planeta, a milhares de quilômetros de profundidade. Pequenas mudanças nesse fluxo deslocam continuamente a posição onde as linhas magnéticas convergem.

Segundo a NOAA, esse comportamento é natural e vem sendo acompanhado havia décadas, mas ganhou velocidade incomum nas últimas décadas.

Deslocamento do Polo Norte magnético exige atualização na navegação - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Como cientistas medem esse deslocamento?

A medição usa o World Magnetic Model, um modelo matemático desenvolvido em conjunto pela agência americana e pelo Serviço Geológico Britânico. Ele é atualizado a cada cinco anos, ou antes disso quando o polo se move rápido demais para o modelo antigo continuar preciso.

- Satélites e estações terrestres coletam dados do campo magnético.

- Modelos matemáticos calculam a posição atual do polo magnético.

- Governos e fabricantes recebem a versão atualizada para seus sistemas.

Quem depende dessa atualização no dia a dia?

Praticamente qualquer sistema que use bússola digital ou cálculo de rumo magnético depende desses dados. Isso inclui aviação civil e militar, navegação marítima, aplicativos de mapa e até a numeração de pistas de aeroportos, definida pelo ângulo magnético da pista.

🧭 O QUE MUDA COM O DESLOCAMENTO

● RESUMO RÁPIDO

✈️

Aviação

Rotas e numeração de pistas ajustadas ao novo norte.

🚢

Navegação marítima

Cartas náuticas dependem da posição magnética atual.

📱

Bússola do celular

Aplicativos de mapa recalibram com o modelo atualizado.

Fonte: National Centers for Environmental Information (NOAA)

Esse tipo de sentido magnético não é exclusividade de máquinas. Alguns animais também usam o campo da Terra para se orientar, e a ciência ainda discute exatamente como isso funciona.

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O que os pesquisadores esperam para os próximos anos?

A expectativa é de acompanhamento constante, não de uma parada no movimento. Segundo o cientista Arnaud Chulliat, da Universidade do Colorado e ligado à NOAA, quanto mais tempo sem atualizar o modelo, maior o erro acumulado nos sistemas de navegação.

Por isso, as duas agências responsáveis já liberaram uma versão de alta resolução do modelo, além da tradicional. Ela detalha o campo magnético com muito mais precisão perto dos polos.

Movimento do Polo Norte magnético afeta aviões, navios e celulares - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Isso significa que o eixo da Terra está mudando?

Não significa. O polo geográfico, ponto onde o eixo de rotação toca a superfície, continua fixo. Quem se move é apenas o polo magnético, resultado do fluxo de metal líquido no núcleo do planeta. São dois fenômenos diferentes, e só o segundo está em marcha acelerada rumo à Sibéria.

Vale a pena acompanhar essas atualizações mesmo sem entender de geofísica. Elas explicam, de forma direta, por que seu celular às vezes parece "perder o norte" depois de um tempo sem atualização.

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