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A inteligência artificial Claude, criada pela Anthropic, foi usada por um grupo no norte do Iêmen na tentativa de desenvolver mísseis e armas teleguiadas.

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A descoberta consta em um relatório de segurança da própria desenvolvedora. A investigação mostrou que a ferramenta foi usada em tarefas que normalmente exigiriam uma equipe de engenheiros especializados em orientação, navegação e controle de armas.

Anthropic interrompeu contas de usuários em diversos países após constatar violações de segurança. – Imagem: gguy/Shutterstock

IA ajudou no desenvolvimento

O grupo usou o Claude em diferentes etapas dos projetos. Em um deles, a ferramenta ajudou no desenvolvimento de um sistema de orientação para um foguete capaz de ajustar automaticamente sua trajetória durante o voo.

O sistema utilizava uma calculadora de voo semelhante à de um smartphone. Com ela, o equipamento poderia calcular sua posição e fazer ajustes para tentar seguir uma rota determinada até o alvo.

O grupo chegou a testar o lançamento do foguete, mas a tentativa fracassou. A Anthropic afirma que não encontrou evidências de que o trabalho tenha resultado em uma arma operacional.

Míssil de longo alcance e veículo hipersônico

O foguete guiado era apenas um dos três projetos identificados pela empresa. Outro envolvia um míssil balístico com alcance superior a 2 mil quilômetros.

Esse tipo de arma percorre grande parte da trajetória em uma curva de grande altitude antes de seguir em direção ao alvo. Um alcance superior a 2 mil quilômetros significa que o sistema poderia atingir regiões muito distantes do local de lançamento.

O terceiro projeto envolvia um planador hipersônico. Esse tipo de veículo pode realizar manobras durante o voo e atingir velocidades superiores a cinco vezes a velocidade do som.

Os projetos identificados pela Anthropic incluíam:
- foguete capaz de ajustar automaticamente a própria trajetória;
- sistema de orientação para o foguete;
- míssil balístico com alcance superior a 2 mil quilômetros;
- planador hipersônico capaz de realizar manobras durante o voo.
Grupo estava em área controlada pelos houthis
A Anthropic não identificou publicamente o grupo responsável pelos projetos. A empresa informou apenas que ele estava baseado no norte do Iêmen, em uma região controlada pelos houthis.
Os houthis são um movimento político e militar apoiado pelo Irã que controla grande parte do norte do Iêmen e a capital, Saná. O grupo está envolvido na guerra civil do país e também ficou conhecido internacionalmente por ataques contra navios no Mar Vermelho e contra Israel.
O caso mostra como sistemas de inteligência artificial podem ser usados em tarefas ligadas ao desenvolvimento de armas. – Imagem criada por inteligência artificial: Copilot/Olhar Digital
Investigação acompanha usos maliciosos de IA
O caso faz parte de uma investigação mais ampla da Anthropic sobre usos considerados ilegais ou maliciosos de seu sistema de inteligência artificial. A companhia afirmou ter interrompido operações envolvendo usuários de diferentes países.
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Mesmo com os três projetos identificados, a empresa não encontrou evidências de que o grupo tenha conseguido transformar o trabalho em uma arma operacional. O teste conhecido do foguete guiado também terminou em fracasso, reforçando a principal ressalva apresentada no relatório: havia projetos em desenvolvimento, mas não evidência de uma arma pronta para uso.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags: anthropic claude Iêmen Inteligência Artificial tecnologia militar


