Telhados inclinados, paredes claras e madeira aparente fazem a chegada a Treze Tílias parecer uma mudança de país sem sair de Santa Catarina. A paisagem nasceu com imigrantes austríacos em 1933, mas não ficou presa ao passado. Técnicas e materiais mudaram, enquanto políticas locais ajudaram a conservar uma linguagem arquitetônica que virou parte da experiência turística.

Como Treze Tílias ganhou uma paisagem austríaca no interior catarinense?

A história começa em 13 de outubro de 1933, quando Andreas Thaler chegou com outros 82 imigrantes austríacos. O grupo fundou a Colônia Austríaca Dreizehnlinden no Vale do Rio do Peixe, segundo o Portal Municipal de Turismo de Treze Tílias. O nome alemão significa Treze Tílias e foi inspirado no poema “Die Dreizehnlinden”, de Wilhelm Weber.

Outras famílias do Tirol chegaram nos anos seguintes e levaram costumes, idioma, música, escultura, carpintaria e referências construtivas dos Alpes. Essa continuidade explica o apelido Tirol Brasileiro e ajuda a entender telhados inclinados, madeira trabalhada, fachadas claras e tílias aclimatizadas no município. A paisagem construída virou memória cotidiana da imigração e, com o turismo, tornou-se uma marca visual reconhecível da cidade.

🏛️ 1933: Fundação da Colônia Austríaca Dreizehnlinden.

🌿 1937: Construção do Castelinho, residência de Andreas Thaler.

🚀 Hoje: A identidade austríaca segue orientando políticas de preservação e construção.

Por que as construções modernas continuam parecendo tirolesas?

Madeira e alvenaria convivem na linguagem arquitetônica local - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registrou como essa aparência sobreviveu à modernização. Casas claras, telhados em duas águas e balcões de madeira continuam visíveis, enquanto técnicas tradicionais convivem com concreto e alvenaria. O levantamento também descreve torres feitas em concreto e jovens construtores que fizeram estágios técnicos na Áustria.

Construções de alvenaria recebem o trabalho dos carpinteiros, que acrescenta boa parte do caráter austríaco às fachadas, segundo o mesmo estudo. A legislação vigente inclui a Lei Complementar 23/2007, cujo Plano Diretor estabelece manter a arquitetura típica austríaca entre os objetivos turísticos. Porém, a legislação urbanística vigente de Treze Tílias não sustenta a afirmação de que toda fachada deve repetir um padrão único.

O que ver em Treze Tílias para entender essa arquitetura?

O centro e os arredores permitem observar como história, turismo e construção se cruzam. Alguns lugares mostram técnicas, memória e versões diferentes da identidade austríaca, separando herança histórica de adaptações feitas depois. A leitura fica mais rica quando o visitante compara edifícios antigos, madeira artesanal e construções criadas para reforçar a paisagem local.

- Castelinho: construído em 1937 como residência de Andreas Thaler, hoje abriga o Museu da Imigração Austríaca e guarda fotografias, documentos e objetos.

- Praça Andreas Thaler: fica diante da Igreja Matriz e próxima da prefeitura, formando um bom ponto para perceber a linguagem arquitetônica do centro.

- Ateliês de esculturas em madeira: mantêm a tradição austríaca em peças sacras, portas, móveis e outros trabalhos que ajudam a explicar o papel dos artesãos.

- Parque Lindendorf: reúne uma minicidade de 350 m², cujas pequenas construções seguem o estilo tirolês, além de áreas verdes e caminhada ecológica.

- Babenberg: primeira comunidade de Treze Tílias, fica a cerca de 7 km do centro e preserva a igreja mais antiga do povoado.

- Parque dos Sonhos: reúne labirinto de cerca viva, uma das casas mais antigas do município e espaços ligados a produtos coloniais.

- Linha Pinhal: comunidade de descendentes de italianos, a 10 km do centro, preserva tradições familiares na arquitetura, gastronomia e costumes.

Como chegar e observar a cidade sem correr?

O acesso rodoviário indicado pelo portal municipal parte de Joaçaba ou Videira, pelas rodovias SC-303 e SC-454. Quem vem do litoral pode usar a BR-470, entrar por Campos Novos e seguir por Tangará e Ibicaré. Reserve tempo para caminhar e observar fachadas, telhados, balcões e detalhes de madeira sem transformar o percurso numa sequência apressada.

O Aeroporto de Chapecó aparece como o terminal aéreo mais próximo, a cerca de 175 km do município. No destino, praça, igreja, prefeitura e Castelinho ficam próximos e ajudam a concentrar a primeira leitura da arquitetura local. Depois, ateliês, parques e Babenberg, a cerca de 7 km do centro, ampliam o contato com áreas fora das quadras centrais.

Etapa

Referência

Chegada

Acesso por Joaçaba ou Videira, com conexão rodoviária até Treze Tílias.

Percurso

Centro urbano primeiro, seguido por ateliês, parques e comunidades próximas.

Treze Tílias vale a visita

Treze Tílias chama atenção porque a herança austríaca não ficou restrita a museus ou festas. Ela aparece nas fachadas, no trabalho da madeira e nas escolhas que continuam moldando novas construções no município. A cidade mostra como técnicas contemporâneas podem conviver com uma identidade visual antiga, preservando referências culturais sem repetir literalmente todos os métodos do passado. Se você gosta de arquitetura e viagens, caminhe devagar pelo centro, observe os encaixes e compare os prédios antes de seguir para os arredores.

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