Na Mira

Organização criminosa utilizava empresas de fachada e chácaras em Samambaia e Sol Nascente para armazenar drogas trazidas de outros estados

Carlos Carone

23/10/2026 06:29
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por intermédio da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte), deflagrou na manhã desta sexta-feira (23/10) a Operação Consortium. A ação visa desmantelar uma organização criminosa estruturada que adquiria entorpecentes em outros estados, realizava o transporte até a capital federal e distribuía a droga para traficantes locais.
Ao todo, os agentes cumpriram 14 mandados de busca e apreensão nas regiões administrativas de Samambaia, Sol Nascente e Taguatinga. Quatro homens já identificados como integrantes do grupo foram alvos centrais da ofensiva policial, que busca aprofundar o mapeamento da estrutura financeira e logística do esquema.
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O fio da meada começou a ser puxado em junho de 2025, quando os policiais da 26ª DP prenderam um indivíduo apontado como o responsável pelo tráfico de drogas nas quadras 621 e 623 de Samambaia.
Consórcio da droga
A análise das provas colhidas no momento daquela prisão revelou que o suspeito era apenas a ponta de uma engrenagem muito maior: o entorpecente comercializado por ele vinha de uma rede organizada de fornecedores com grande capacidade de articulação logística.
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Como funcionava o “Consórcio da Droga”:
- Rateio de custos: traficantes locais transferiam recursos a um núcleo encarregado da compra e logística.
- Aquisição externa: o grupo comprava entorpecentes fora do DF e organizava o transporte rodoviário.
- Pontos de apoio: chácaras em Samambaia e Sol Nascente serviam para guardar a droga com segurança.
- Rateio dos lucros: o produto era fracionado e repassado aos “sócios” do consórcio para venda final.
Empresas de fachada
Para além do armazenamento físico em chácaras da periferia do DF, a investigação revelou um sofisticado braço financeiro destinado a lavar o dinheiro do crime.
A PCDF identificou o uso de empresas de fachada para movimentar os valores cobrados dos revendedores e direcionados aos fornecedores fora do DF. Um dos alvos — formalmente registrado como uma loja de peças automotivas — chamou a atenção dos investigadores ao movimentar R$ 1,3 milhão em apenas dois meses.
A perícia no local revelou que a empresa sequer possuía sede física compatível com o volume do comércio declarado, o que confirmou a suspeita do uso da conta jurídica para ocultação de bens e valores ilícitos.
Penas de 33 anos
Os investigados responderão pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas para essas infrações podem variar de 11 a 33 anos de reclusão.
A Polícia Civil do Distrito Federal destacou que a Operação Consortium reforça a estratégia da corporação de asfixiar as finanças dos grandes grupos criminosos, atacando não apenas a ponta final da distribuição nas ruas, mas a engrenagem econômica e logística que sustenta o narcotráfico no DF


