Parte do setor financeiro vê medida contra as apostas on-line com bons olhos

Transações com Pix têm queda de 10% após proibição de bets
Transações com Pix têm queda de 10% após proibição de bets · Imagem: Source: valor.globo.com

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Pix — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo

O número de transações de Pix caiu cerca de 10% nos últimos três dias, após o governo publicar no fim da tarde de sexta-feira a medida provisória (MP) proibindo as apostas esportivas on-line (bets). Para parte da indústria bancária, a proibição é vista com bons olhos, já que de fato há muitos indicadores de que as bets estavam corroendo o orçamento das famílias, especialmente de baixa renda, e, assim, afetando a inadimplência. Ainda assim, há críticas sobre a insegurança jurídica.

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Neste sábado (26) o número de transações com Pix (não o volume financeiro) foi de 229,6 mil, uma queda de 11,0% em relação à média dos quatro sábados anteriores, de acordo com dados do Banco Central. No domingo, as transações somaram 165,9 mil, com baixa de 12,0% na mesma base de comparação. E, nesta segunda-feira (28), atingiram 213,0 mil, uma retração de 7,4%. No acumulado dos três dias, a queda é de 10,0%, também ante a média do mesmo intervalo nas quatro semanas anteriores.

“Óbvio que não é possível atribuir essa queda no Pix só à proibição das bets, mas isso dá uma dimensão do problema. Virou uma questão de saúde pública”, comenta uma liderança do setor. “Acho que foi uma decisão acertada do governo. Eu não gosto de bets em nenhum sentido”, acrescenta um banqueiro de uma instituição de médio porte.

Como o Valor mostrou ontem, analistas também avaliam que a proibição das bets pode ser positiva para os bancos. O Citi aponta que mais de 40 milhões de brasileiros já colocaram dinheiro nessas apostas, representando cerca de R$ 20 bilhões de receita bruta no primeiro semestre deste ano. “A medida poderia deixar uma renda disponível mais elevada para as famílias, o que se traduziria em melhor qualidade dos ativos para os bancos, especialmente no segmento de baixa renda.”

Outra fonte do setor também admite que, para os bancos, a medida pode ter efeito levemente positivo, ao contribuir para um alívio na renda disponível das famílias. Ainda assim, critica a forma como a decisão foi tomada pelo governo, criando insegurança jurídica e também com efeitos sobre a questão fiscal.

“Acho que as bets fazem muito mal à economia local, ao comércio e não deveriam ter sido reguladas como foram, mas derrubar por MP uma lei e estrutura jurídica que foi discutida por meses no Congresso é complicado.”

Já um interlocutor do segmento das fintechs diz que, em certa medida, a proibição já era esperada. “As externalidades negativas se sobrepõem muito às externalidades positivas”, comenta, falando sobre os efeitos para a sociedade em geral. De qualquer forma, ele aponta que algumas fintechs operam exclusivamente para este setor e outras, mesmo não sendo exclusivas, possuem faturamento relevante com as bets, seja na operação do fluxo de apostas ou nas remessas internacionais. “Assim, uma mudança abrupta vai trazer impactos econômicos para esse subsegmento.”

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