O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), elevou os juros básicos dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual (p.p.), fixando a taxa no intervalo entre 3,75% e 4,00%. Unânime, a decisão foi anunciada nesta quarta-feira (16/9) e era amplamente esperada pelo mercado.Na avaliação de analistas, embora não tenha dado uma indicação clara, o comunicado divulgado pelo Fomc anunciando a medida aponta para mais uma elevação da taxa em 0,25 p.p. ainda em 2026. Leia também EconomiaFed aumenta taxa de juros nos EUA, em decisão que não ocorria desde 2023 EconomiaComo o aumento dos juros nos EUA abala a economia global e afeta seu bolso MundoTrump faz apelo para o Fed baixar taxas de juros nos EUA: “Sejam patriotas” NegóciosFed mantém juros elevados pela 5ª vez seguida nos Estados Unidos No texto, os integrantes do Fed destacam que, embora a incerteza permaneça elevada como resultado dos problemas geopolíticos, os gastos internos têm demonstrado resiliência. A geração de empregos, notaram os integrantes do BC americano, tem acompanhado a evolução da força de trabalho, e a taxa de desemprego apresentou pouca variação.Em contrapartida, a inflação permanece elevada. Na visão do Fed, a decisão desta quarta-feira contribui para um retorno mais rápido dos preços para a meta de 2% ao ano estabelecida pelo Fomc.Nova altaNa avaliação de André Valério, economista do Inter, as projeções dos membros do Fomc apresentam uma visão de que a economia americana está aquecida, tendo revisado para cima as projeções de PIB e inflação, enquanto as projeções de desemprego foram reduzidas. “Além disso, o comitê enxerga o núcleo da inflação para 2026 levemente acima do que projetavam em junho, mas reduziram a projeção do núcleo para 2027”, diz. “A despeito dessa revisão, os membros antecipam mais uma alta de 0,25 p.p. neste ano, possivelmente em dezembro, com os juros sendo mantidos nesse patamar ao longo de 2027.”De toda forma, nota o analista, a capacidade do Fed em realizar apenas mais uma alta dependerá da dinâmica do preço do petróleo. “Caso haja alguma solução mais duradoura em relação ao Estreito de Ormuz, que permita que o preço do barril de petróleo retorne ao patamar de US$ 70, mais uma alta de juros é plausível”, afirma. “Caso contrário, o choque inflacionário de energia pode persistir por mais tempo, forçando o Fed a estender o ciclo de alta além do planejado.”Paula Zogbi, da Nomad, também aponta que as projeções do BC americano apontam para nova elevação dos juros neste ano. “No curto comunicado, o Fomc reforçou que a atividade segue expandindo em velocidade sólida, mas que a incerteza permanece elevada”, diz. “O material de projeções oficiais dos membros do comitê indicou que o Fed antevê uma alta da taxa de juros em 2026.”








