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Inquérito policial apura possível fraude em dívida de R$ 8 milhões do ex-jogador Max na recuperação judicial do Vasco
Inquérito policial apura possível fraude em dívida de R$ 8 milhões do ex-jogador Max na recuperação judicial do Vasco · Imagem: Source: oglobo.globo.com

Diogo Dantas

Inquérito policial apura possível fraude em dívida de R$ 8 milhões do ex-jogador Max na recuperação judicial do Vasco
Inquérito policial apura possível fraude em dívida de R$ 8 milhões do ex-jogador Max na recuperação judicial do Vasco · Imagem: Source: oglobo.globo.com

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Planilha de pagamentos do Vasco ao ex-jogador Max — Foto: Reprodução
Planilha de pagamentos do Vasco ao ex-jogador Max — Foto: Reprodução · Imagem: Planilha de pagamentos do Vasco ao ex-jogador Max — Foto: Reprodução

Delegacia ouve testemunhas e já intimou o presidente Pedrinho e Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral, que advogou para o jogador no passado. Ele nega conflito

Inquérito policial apura possível fraude em dívida de R$ 8 milhões do ex-jogador Max na recuperação judicial do Vasco
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Inquérito policial apura possível fraude em dívida de R$ 8 milhões do ex-jogador Max na recuperação judicial do Vasco
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Inquérito policial apura possível fraude em dívida de R$ 8 milhões do ex-jogador Max na recuperação judicial do Vasco
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Ex-jogador Max no Vasco — Foto: Divulgação

A Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro (DDEF) apura desde maio uma possível fraude relacionada à inclusão e ao pagamento de uma dívida trabalhista na recuperação judicial do Vasco. O caso envolve o ex-jogador Marcilei da Silva Elias, conhecido como Max, e um valor que chegou a R$ 8.082.730,46 na relação de credores.

A investigação teve origem em informações anônimas encaminhadas pelo Ministério Público e busca esclarecer como um crédito sem o valor exato determinado por ainda transitar na Justiça do Trabalho foi incluído na recuperação judicial. Para isso, foram intimados o presidente Pedrinho, o presidente da Assembleia Geral, Alan Belaciano, que já foi advogado de Max, e já prestaram depoimento o antigo diretor financeiro, Gabriel Souza, e a ex-diretora jurídica, Bianca Reis.

Segundo documentos que integram o inquérito aos quais O GLOBO teve acesso, Vasco e SAF passaram posteriormente a reconhecer como legítimo um montante de R$ 2.450.570,06, enquanto os R$ 8,08 milhões constavam da relação de credores elaborada pela Administração Judicial. A própria Administração Judicial e o MP opinaram pela retificação do valor para R$ 2.450.570,06.

A denúncia sustenta que o crédito apresentado por Max pode ter sido artificialmente inflado em cerca de R$ 5,63 milhões e aponta a necessidade de investigar se o advogado Alan Belaciano, que atuou originalmente no processo e depois participou das negociações das dívidas trabalhistas do clube, teve algum envolvimento na suposta fraude. Ele nega.

— Não sou investigado, não negociei valores e não fiz nenhum cálculo dentro da recuperação judicial. A estrutura da negociação, os números e a forma de pagamento foram todos definidos pelos escritórios especializados em recuperação judicial. O que fiz foi aproximá-lo dos advogados de alguns credores, num momento em que o Vasco precisava reconstruir a credibilidade que havia perdido junto a eles — , afirmou Alan.

Rastreio nas movimentações

Em documento enviado em 10 de agosto de 2026, a delegacia requisitou à 20ª Vara do Trabalho do Rio cópia integral do processo movido pelo ex-jogador contra o clube, além de documentos e informações técnicas do sistema eletrônico da Justiça do Trabalho. Entre as informações solicitadas pela Polícia Civil estão os dados do sistema do Tribunal de Justiça com a identificação do usuário responsável pelo login e pela assinatura eletrônica das petições, principalmente da planilha de liquidação e do pedido de habilitação do crédito.

A delegacia também pediu ao Judiciário o histórico de representação do jogador, com a relação de todos os advogados que atuaram no processo, e informações específicas sobre o advogado Alan Belaciano, que representou Max de 2015 a 2017 contra a gestão do presidente Eurico Miranda. A Polícia Civil quer saber se Belaciano praticou algum ato no processo depois de ter passado os poderes ao advogado Moisés Gleicher.

Erro identificado em abril

Em seu depoimento, o então diretor financeiro da SAF do Vasco, Gabriel Batista Viana de Souza, relatou que a divergência foi identificada em abril de 2026, durante o fechamento contábil do Club de Regatas Vasco da Gama. Segundo ele, o setor financeiro do clube apresentou uma planilha apontando que o valor incontroverso era de aproximadamente R$ 2,5 milhões.

Gabriel afirmou que, por meio da consultora Alvarez & Marsal, foi identificado o erro decorrente da concordância das recuperandas com um valor que ainda não era exato, ou ilíquido. Ele também declarou não saber como ou sob orientação de quem foi elaborada e incluída na relação de credores a planilha unilateral de R$ 8.082.730,46 (abaixo).

Planilha de pagamentos do Vasco ao ex-jogador Max — Foto: Reprodução

A questão é que nesta altura Max já havia recebido a primeira parcela quando o valor ainda não tinha sido corrigido na recuperação judicial. Segundo Gabriel, o pagamento foi calculado com base no valor de aproximadamente R$ 8 milhões que constava da lista de credores.

Em sua defesa no inquérito, o Vasco reconhece a dívida trabalhista, mas tenta reduzir em cerca de R$ 1,81 milhão o valor a ser habilitado na recuperação judicial, retirando da conta parcelas que considera pertencentes à União ou a terceiros.

Conflito entre diretora jurídica e financeiro

Houve um conflito entre o depoimento do setor jurídico e financeiro que chamou atenção. Bianca Reis afirmou ainda que a possível irregularidade envolvendo o crédito de Max foi identificada inicialmente pelo setor financeiro do Club de Regatas Vasco da Gama, durante a elaboração do balanço patrimonial. A inconsistência foi posteriormente confirmada pelo financeiro da Vasco SAF e pelos escritórios que atuavam na Recuperação Judicial. Segundo Bianca, o crédito era superior ao valor indicado na sentença trabalhista, que ainda estava sob recurso. Por orientação dos escritórios especializados, a Vasco SAF decidiu impugnar a habilitação.

A advogada destacou que o valor de R$ 8,08 milhões foi inserido diretamente pelo próprio credor nos autos da Recuperação Judicial, sem análise ou aprovação prévia da SAF. Por isso, afirmou que não houve falha de validação interna anterior à inclusão. Também disse que não foi aberta investigação ou auditoria interna para apurar responsabilidades funcionais. Após o caso de Marcilei, o financeiro da SAF e escritórios externos, entre eles a Alvarez & Marsal, revisaram outras habilitações de crédito e encontraram novas inconsistências em ações trabalhistas patrocinadas pelo advogado Moisés Gleicher.

Bianca Reis afirmou que Alan atuava informalmente como interlocutor junto aos advogados trabalhistas, em razão de sua experiência e relacionamento profissional. Segundo ela, não havia delegação formal, contrato, procuração ou ato institucional específico da SAF para essa atuação.

Já Max afirmou que seus advogados lhe informaram inicialmente que o crédito poderia chegar a cerca de R$ 8 milhões. Ele disse que não elaborou nem conferiu a planilha apresentada na recuperação judicial, deixando a condução do processo com seus advogados. O ex-jogador também negou ter participado de qualquer acordo ilícito, combinação financeira ou tentativa de inflar o crédito para obter vantagem na recuperação judicial.

Outros nomes citados

O atual presidente do Vasco, Pedro Paulo de Oliveira, o Pedrinho, também foi intimado para prestar declarações como testemunha no inquérito, mas não compareceu. Segundo o CFO Gabriel Souza, um documento relacionado ao reconhecimento do erro foi assinado pelo presidente do clube, pela SAF, por Bianca Moraes e pelo CEO Carlos Amodeo, ambos já desligados depois de um racha na diretoria que também levou às saídas do vice-jurídico Felipe Carregal e do vice de finanças Silvio Almeida, que discordaram da forma como a SAF está sendo vendida para Marcos Lamacchia. Almeida e Carregal ainda podem ser ouvidos no inqu

— A denúncia anônima aparece logo depois do racha na diretoria, em plena campanha eleitoral e exatamente quando a Justiça liberou a qualificação do novo investidor. A Dra. Bianca Reis, Felipe Carregal e Silvio Almeida eram os responsáveis por fiscalizar esse processo dentro do clube e não disseram uma palavra até o rompimento. Por que só agora tentam associar o meu nome a isso?— , questiona Belaciano.

Carregal e Almeida foram procurados para esclarecimentos. Silvio se pronunciou:

— Desconheço qualquer denúncia anônima. Não é verdade que nada havia sido feito até então. Assim que foi identificado o erro, foi requerida a impugnação deste processo junto à recuperação judicial. Espero que a investigação seja concluída em breve e que os devidos esclarecimentos sejam prestados com máxima transparência — afirmou.

Até o momento não há conclusão policial sobre autoria ou materialidade de fraude. Em seu parecer o MP afirma que ratifica os termos do pronunciamento do Administrador Judicial e pede a procedência parcial, com o crédito do Max na Classe I pelo valor de R$ 2.450.570,06, ressalvando nova retificação após o trânsito em julgado da decisão no Tribunal Superior do Trabalho.

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