Uma investigação sobre um golpe envolvendo a exportação de cargas de cassiterita, que acabaram substituídas por pó de brita, chegou a dois advogados de São Paulo. Segundo representação da Polícia Federal (PF), o minério negociado no esquema tinha origem na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, que era ocultada por meio de documentos que simulavam uma procedência legal.Guilherme Luiz Altavista Romão (na foto, à esquerda) e Santiago André Schunck (à direita) teriam, segundo documento obtido pelo Metrópoles, contratado doleiras para operacionalizar o fluxo financeiro do esquema, que teria causado prejuízo de aproximadamente US$ 48 milhões à multinacional suíça Gerald Metals. Leia também São PauloDark Horse: prefeitura consulta STF sobre rompimento de contrato com ONG São PauloMédico é condenado a 20 anos de prisão por auxiliar PCC a executar paciente São PauloProfessora agredida por aluno dentro de escola será indenizada pelo estado São PauloJuristas católicos pedem suspeição de ministros do STF: “Preocupação” O golpe veio à tona após a abertura de contêineres enviados do Brasil para a Tailândia, a China e a Malásia. Os primeiros carregamentos tinham menos de 1% de estanho, embora devessem conter concentrado de cassiterita, minério conhecido como “ouro negro”. Segundo a investigação, 109 dos 129 contêineres enviados foram abertos e todos apresentaram areia ou brita em vez do minério negociado.Schunck e Romão são apontados como intermediários entre o principal articulador da fraude, Diego Possebon, e duas doleiras que operavam as transferências. O mecanismo, conhecido como dólar-cabo, permitia que valores em dólares movimentados nos Estados Unidos fossem compensados por transferências em reais no Brasil, sem o transporte físico do dinheiro entre os países.Segundo a representação, a operação previa uma comissão de 3% sobre as transações, dos quais 1% seria destinado ao escritório de Schunck e Romão.A PF aponta Diego Possebon como responsável por intermediar a compra dos minérios extraídos da Terra Indígena Yanomami. Na estrutura descrita pela investigação, Schunck e Romão são classificados como “executores” e teriam ficado responsáveis pela contratação das doleiras, que internalizaram parte dos valores pagos pela empresa suíça, por mediação de contratos e para dar eventuais suportes logístico, jurídico e de crise.O Metrópoles procurou os advogados Schunck e Romão, mas segue sem resposta até o momento da publicação. A reportagem não localizou a defesa de Possebon. O advogado de defesa das doleiras, Eduardo Maurício, disse que o caso está em segredo de Justiça, mas que “demonstra gravidade devido à extração ilegal de minérios em terras indígenas, que podem causar grave crise humanitária”. A PF afirmou que não se manifestará sobre eventuais investigações em andamento.O espaço segue aberto para manifestação.Operação Disco de OuroO golpe contra a multinacional suíça Gerald Metals e o esquema de lavagem de capitais por meio de dólar-cabo são apontados pela PF como parte dos fatos relacionados ao grupo investigado na Operação Disco de Ouro, deflagrada em dezembro de 2023.Segundo a representação, o minério relacionado ao esquema tinha origem na Terra Indígena Yanomami. A PF aponta Diego Possebon como responsável por intermediar a compra desse minério com uma empresa norte-americana e a Gerald Metals.







