Carla de Paula Muller, investigada na Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público de São Paulo, vai cumprir prisão domiciliar após decisão da Justiça. Ela é esposa de Antônio Jose Muller Junior, o “Granada“, um dos líderes do PCC.A defesa de Carla alegou que a mulher tem um filho de 10 anos que depende diretamente dela, visto que o pai, companheiro da investigada, está preso na Penitenciária Federal de Brasília. Além disso, o advogado afirmou também que Carla faz uso contínuo de medicamento controlado sob o risco de descompensação psíquica.Segundo a investigação da operação, Carla atuava na transmissão de recados de interesse da facção ao marido.Relembre a operaçãoA operação foi deflagrada no dia 17 de setembro. A investigação cita a “contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior”. No município de São Paulo, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo seriam, em tese, controladas pelo PCC. Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais. Leia também São PauloPrisão de “funcionário” expõe esquema de policiais com PCC para extorsões Entorno e GoiásMembro do PCC é condenado por matar e esconder corpo de homem no Entorno São PauloTebet critica gestão da segurança de Derrite e diz que PCC e CV tomaram SP São Paulo“Funcionário” de policial civil de SP é preso por elo com PCC Os criminosos também utilizariam os sócios formais das concessionárias e empresas de ônibus como “laranjas” para ocultar os verdadeiros proprietários das empresas, que seriam integrantes do PCC. Além disso, o grupo teria promovido ajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios. Há registros de acordos para que as empresas passassem a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as licitações, mediante repasse de propinas a agentes públicos.As facilidades no setor, conforme indica a investigação, seriam obtidas em troca do financiamento de campanhas eleitorais de candidatos e cooptação de agentes públicos.O dinheiro do crime seria injetado no setor de transporte por meio da negociação de veículos e compra/venda de frotas inteiras de ônibus, com pagamentos de comissão aos laranjas, além da transferência de valores entre as contas das empresas e dos investigados.A investigação também aponta a existência de um núcleo chamado “Sintonia dos Gravatas”, composto de advogados e operadores ligados à facção, que teriam o papel de intermediar negociações contratuais, atuar em licitações, gerenciar repasses de comissões e disponibilizar contas bancárias e escritórios para reuniões de integrantes do esquema.“Em síntese, os elementos descritos pela Autoridade Policial procuram demonstrar que a atuação investigada extrapolaria o tráfico de drogas, abrangendo a utilização de empresas de transporte, pessoas interpostas, contratos públicos, articulações políticas e estruturas da área da saúde, além de evidenciar suposta divisão de tarefas e subordinação entre os envolvidos, com atuação coordenada em benefício do PCC”, diz um trecho do documento.








