El Otro Clásico (O Outro Clássico) vem sendo o nome dado a partidas de futebol entre o Atlético de Madrid e o Barcelona. Apesar de ambas as torcidas terem como principal rival o Real Madrid, com quem compõem o trio de maior torcida na Espanha e de mais títulos em La Liga, os jogos entre Atleti e Barça não são amistosos, ainda que sejam caracterizados por alta média de gols. As animosidades mútuas renderam equilibrado número de expulsões, com 38 para o Barcelona e 39 para o Atlético, entre o primeiro duelo em 1925 e o ano de 2026. Inclusive, no futebol feminino é tradicionalmente entre estes dois clubes o principal clássico do futebol espanhol, e não o encontro de Barcelona com Real Madrid e nem o Dérbi de Madrid. No masculino, a rivalidade esteve especialmente forte na década de 1970, em que a equipe madrilenha vinha sendo continuamente mais vencedora nos anos recentes a ponto de ter apenas um título a menos em La Liga dos que os catalães. É dessa época também que o Atlético obteve a Copa Intercontinental de 1974, ao passo que apenas em 2009 o Barcelona conseguiu seu primeiro título mundial, após ser derrotado em duas tentativas anteriores (1992 e 2006). A partir da década de 2010, com o Atlético se recolocando como postulante contínuo a troféus, os duelos de rojiblancos e blaugranas retomaram relevo, o que incluiu três ocasiões em que se encontraram pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões da UEFA (em 2014, 2016 e 2026) com o clube da capital eliminando nas três vezes o Barcelona; também nesse período, na rodada final de La Liga de 2013–14, o Atlético encerrou precisamente em confronto direto no Camp Nou um jejum de dezoito anos sem ser campeão espanhol. Apesar desse retrospecto desfavorável em duelos pela Liga dos Campeões, o Barcelona lidera as demais estatísticas, detendo mais títulos em todas as competições, maior quantidade de torcedores e maior número de vitórias no duelo direto: a altura do primeiro semestre 2026, ocorreram 254 enfrentamentos por todas as competições, com 116 vitórias (e 474 gols do Barcelona) e 81 vitórias (e 374 gols) do Atlético. Em La Liga, foram 178 partidas (83 vitórias do Barcelona e 53 do Atlético), com outras 50 pela Copa del Rey, além de onze encontros pela Supercopa da Espanha, seis pela extinta Copa da Liga Espanhola, outras seis pela Liga dos Campeões da UEFA, dois pela dois pela Copa Presidente de la Federación Española de Fútbol um pela Copa Eva Duarte.
História
Primeiros anos O Barcelona foi fundado em 1899. O Atlético de Madrid surgiu em 1903, mesmo ano da criação da Copa del Rey. Porém, o primeiro encontro entre os dois times só ocorreu em 1925. Nos primeiros anos de existência, o clube madrilenho era uma filial do Athletic de Bilbao. Isso tinha como consequência prática o impedimento a participações do Atlético na Copa del Rey. Ela perdurou como a única competição nacional do futebol espanhol até 1929, quando La Liga foi criada; até então, a Copa dividia o calendário com diferentes campeonatos regionais, com o Barcelona disputando o Campeonato Catalão, enquanto o Atlético participava do Campeonato Regional Centro. A separação jurídica entre Athletic e Atlético ocorreu na virada da década de 1910 para a década de 1920, permitindo que o Atlético começasse a disputar a Copa del Rey. O primeiro jogo dele contra o Barcelona, em 19 de abril de 1925, foi válido pelas semifinais da edição de 1924–25 desse torneio. O Barcelona venceu por 3–2 em seu antigo estádio de Les Corts. Josep Samitier fez o primeiro gol do duelo, aos 30 minutos do primeiro tempo. Vicente Palacios empatou no minuto seguinte e Andrés Tuduri chegou a virar o placar no minuto 58. Os catalães, todavia, conseguiram também virar, com gols de Emili Sagi-Barba no minuto 62, de pênalti, e outro de Samitier, no minuto 75. No jogo de volta, o Atlético venceu de virada por 2–1 no dia 26 de abril, no estádio Metropolitano de Madrid. As duas equipes então travaram um jogo-desempate em 3 de maio, em Zaragoza, no antigo estádio Torrero, onde o Barcelona venceu por 2–1, sendo adiante o campeão ao derrotar na decisão o Arenas de Getxo. Já na temporada seguinte, Atlético e Barcelona se reencontraram na Copa del Rey na própria decisão, em jogo único no Mestalla, em Valência, no dia 16 de maio. O time de Madrid chegou a estar vencendo por 2–0, em gols de Vicente Palacios no minuto 16 e de Cosme no minuto 58. Porém, os catalães conseguiram uma virada; primeiramente, empataram em lances quase seguidos, com Samitier no minuto 62 e de Just no minuto seguinte. A quatro minutos do fim da prorrogação, Paulino Alcántara assinalou placar final de 3–2. Os clubes só voltaram a se encontrar em 1929, já por La Liga, que realizava sua edição inaugural. No primeiro turno, o Atlético venceu por 4–1, pela 5a rodada, em 10 de março, ao passo que no segundo turno o Barcelona ganhou de 4–0 pela 13a rodada, em 26 de maio. A frequência de jogos com muitos gols viria a se tornar uma curiosa tônica do evento; os primeiros vinte e cinco anos incluíram resultados como 4–2 (para o Barcelona) e 3–2 (para o Atlético) em 1930, 5–1 (para o Barcelona) em 1935, 4–4 em 1940, 4–2, 6–0 e 5–4 (todas vitórias do Atlético) em 1941, 5–1 (para o Barcelona) e 4–0 (para o Atlético) em 1942, 5–4 (para o Atlético) em 1944, 3–2 (para o Barcelona) em 1947, 4–0 (para o Barcelona) e 4–1 (para o Atlético) em 1949, 6–4 para o Atlético em 1950. Em 1 de novembro de 1951, eles decidiram a Copa Eva Duarte, que funcionava como Supercopa da Espanha antes da criação deste troféu em 1982. O Atlético era o campeão da La Liga de 1950–51, enquanto o Barcelona havia vencido a Copa de 1951. A partida foi disputada no Estádio Chamartín. O Atlético venceu por 2 a 0 com gols de Henry Carlsson e Adrián Escudero. Os dois treinadores da partida, Helenio Herrera (Atlético) e Ferdinand Daučík (Barcelona), comandariam o time adversário anos depois, naquela mesma década. Naqueles anos 1950, o Barcelona frequentemente alcançou vitórias com muitos gols: 5–2 e 5–1 em 1952, 6–1 e 8–1 em 1953, 4–0 em 1954, 7–3 em 1956, 5–2 e 8–1 em 1957 e 5–0 em 1958. Apesar desses resultados da década, ao longo da maior parte do século XX, os dois clubes possuíam quantidade aproximada de títulos no campeonato espanhol, algo que só se alterou a partir da chegada de Johan Cruijff como treinador da equipe catalã em 1990.
A rivalidade nos anos 70 e 80 Curiosamente, as conquistas até a década de 1970 de um não não costumavam ocorrer em disputas com o outro, mas ao longo daquela década a concorrência direta se tornou uma constante; a primeira vez em que ocuparam conjuntamente o primeiro e o segundo lugar do campeonato ocorreu na temporada 1972–73. Ela se tornou lembrada pela disputa incomum, em um torneio cuja disputa envolveu os dois times de Madrid e os dois de Barcelona: foi a temporada em que o Espanyol, líder em dado momento da reta final, mais perto esteve de ser campeão da primeira divisão, encerrando o certame em 3o, um ponto abaixo do Barça e três atrás do campeão Atleti. Aquele título de 1972–73 fez o Atlético ter apenas uma conquista a menos do que o Barcelona em La Liga, o que fez a prioridade colchonera para a temporada seguinte ser inicialmente igualar-se a ele como segundo maior vencedor do campeonato. Os catalães se reforçaram com Johan Cruijff e impediram; é naquele contexto que o próprío Cruijff marcou um de seus gols mais famosos, em vitória por 2–1 em 23 de dezembro de 1973: em lance que rendeu apelido de Holandês Voador, o neerlandês utilizou uma acrobacia similar a um chute de caratê para aproveitar cruzamento de Carles Rexach e acertar as redes de Miguel Reina. Adiante, pela segunda temporada seguida, La Liga viu os dois clubes ocuparem as duas primeiras posições, dessa vez com o Barcelona de campeão e o Atlético de vice. Foi por ficar precocemente claro que a disputa por aquela edição do torneio espanhol estava perdida que a equipe de Madrid passou a focar atenção no ineditismo da Liga dos Campeões da UEFA. Chegou à decisão da temporada 1973–74 e ficou a segundos de vencê-la. O Bayern Munique, porém, conseguiu empatar no último lance da prorrogação e golear no jogo-desempate. Na recusa alemã em disputar a Copa Intercontinental de 1974 com o Independiente, o Atlético herdou a vaga e sagrou-se campeão mundial décadas antes do Barcelona. Ainda na década de 1970, Atlético e Barcelona voltaram a ocupar na temporada 1976–77 os dois primeiros lugares, com o Atlético sendo o campeão e voltando outra vez a ter um título a menos do que os blaugranas. O duelo direto no Camp Nou pela 24a rodada se mostrou preponderante, com o Atlético mantendo-se com dois pontos de vantagem ao obter empate em 1–1 graças a um gol contra do adversário Johan Neeskens. Os dois clubes também disputaram o título espanhol na temporada 1980–81, na qual a equipe de Madrid chegou a causar impressão de que seria a campeã, o que na época a igularia ao Barcelona. Contudo, os madrilenhos enfraqueceram em demasia na reta final, sem nenhuma vitória nas sete rodadas finais. Um dos reveses inoportunos do então líder foi no Camp Nou, com vitória barcelonista de 4–2 orquestrada por Bernd Schuster, em disputa de título diluída com outros clubes; o campeão veio a ser a Real Sociedad, que terminou o certame com três pontos a mais do que o Atlético. Atlético e Barcelona voltaram a disputar já na temporada 1984–85, onde voltaram a ocupar os dois primeiros lugares. Novo duelo no Camp Nou, pela 26a rodada, se mostrou decisivo contra as pretensões madrilenhas: Mario Cabrera e Hugo Sánchez chegaram a marcar gols de vitória parcial de virada por 2–1. O Barcelona tinha até então dez pontos de vantagem, mas o Atlético possuía um jogo a menos e uma vitória sua poderia manter palpável a disputa pelo título. Mas Steve Archibald empatou a três minutos do final, moralmente assegurando ali o campeonato para os catalães. O Atlético pôde em paralelo vencer a Copa del Rey e, adiante, obter diante do Barcelona a Supercopa da Espanha ao vencer no placar agregado por 3–2.
Muitos gols nos anos 90 e 2000 Johan Cruijff voltou ao Barcelona em 1990, como treinador, momento no qual o clube possuía dez títulos espanhóis, apenas dois a mais do que o Atlético. Na primeira temporada do neerlandês como técnico, a disputa por La Liga de 1990–91 se concentrou nos dois clubes. A equipe de Madrid foi invicta nos duelos diretos, com uma vitória na capital e um empate no Camp Nou, mas acabou no vice-campeonato para o Barcelona. O Atlético, novo clube de Bernd Schuster, venceu em paralelo a Copa del Rey, rendendo uma segunda disputa entre os dois pela Supercopa da Espanha, na qual o Barcelona venceu no agregado por 2–1. A partir da "Era Cruijff", o Barça veio a obter mais títulos espanhóis do que em toda a história anterior, começando por um tetracampeonato seguido entre 1990 e 1994. Curiosamente, quantidade considerável de seus jogadores havia antes defendido o Atlético (casos de Julio Salinas, Eusebio Sacristán e Juan Carlos). Chegou a haver nova Supercopa da Espanha entre os dois times em 1992, diante do bicampeonato seguido do Atlético de Schuster na Copa del Rey. Novamente, o Barcelona prevalesceu, vencendo os dois jogos. Ao longo daquela década de 1990, houve nova frequência de jogos com muito gols: o Barcelona venceu por 5–0 e por 6–0 em 1993, ano em que o Atlético venceu por 4–3, jogo que foi especialmente chamativo porque Romário marcou os três primeiros gols da partida - contudo, sua equipe acabou derrotada de virada no minuto final no estádio Vicente Calderón. Em 1994, o Barcelona obteve vitórias de 5–3 e por 4–3. Na primeira delas, o Atlético chegou a estar vencendo por 2–1 e por 3–2 dentro do Camp Nou. Em outra exibição com hat trick, Romário, autor do primeiro gol do jogo, marcou também os gols do 3–3 e do 4–3, com Hristo Stoichkov assinalando os outros dois do vencedor. O ciclo de Cruijff começara a se desgastar com o vice-campeonato europeu em 1994 e se encerrou contra o Atlético, na final da Copa del Rey duas temporadas mais tarde. Foi a segunda e última vez que os dois clubes decidiram esse torneio, setenta anos depois da primeira final entre eles. A edição anterior havia visto um placar agregado de 5–4 para o Atlético nas oitavas-de-final, com curiosas goleadas a cada um dentro do estádio rival: o Atlético venceu por 4–1 no Camp Nou e o Barcelona derrotou por 3–1 no Calderón. Na final de 1996, Milinko Pantić marcou na prorrogação o único gol. Naquela temporada 1995–96, o Atlético conseguiu seu único doblete, ao vencer também La Liga, na única conquista que os colchoneros lograram nela entre 1977 e 2014. Como vice-campeão da Copa, o Barcelona enfrentou-o na Supercopa da Espanha que abriu a temporada seguinte, em dois jogos. O primeiro deles marcou a estreia de Ronaldo pelo Barça, com ele marcando dois gols na vitória de 5–2, na qual o compatriota Giovanni destacou-se junto com outro gol e três assistências no Estádio Olímpico Lluís Companys. Os dois jogadores foram desfalques no jogo de volta, por compromissos com a Seleção Brasileira, e nele a confortável vantagem blaugrana esteve perto de ser revertida com a vitória por 3–1 do Atlético em La Peineta. Após aquela Supercopa, a temporada espanhola 1996–97 seguiu com novos resultados chamativos: em La Liga, houve 3–3 no Camp Nou (Giovanni marcou o do empate) e vitória barcelonista de 5–2 (com três gols de Ronaldo) dentro do Calderón. O duelo de maior repercussão, contudo, se deu pelas quartas-de-final da Copa del Rey: Pantić marcou quatro gols em um só jogo para abrir vitória parcial de 4–0 dentro do Camp Nou, pelo jogo de volta. Ronaldo e Luís Figo empataram, o que seguia classificando o Atleti, pelo jogo de ida ter terminado em 2–2. No minuto final, Juan Antonio Pizzi marcou o gol da virada dos culés, que adiante terminariam campeões. O Atlético ainda conseguiu vencer por 5–2 em 1998 e vencer por 3–0 o jogo de ida das semifinais da Copa del Rey da temporada 1999–2000, lhe sendo outorgado novo 3–0 no jogo de volta em função de W.O. do Barcelona. Porém, nela o clube de Madrid também terminou rebaixado, permancendo na segunda divisão espanhola por duas temporadas, até 2002. A realidade rojiblanca permaneceu modesta na maior parte da década de 2000, período no qual o Atlético não conseguiu nenhuma vitória no Dérbi de Madrid, com o Real Madrid mantendo-se invicto entre 1999 e 2013 contra o vizinho. Contra o Barcelona, contudo, o Atlético lograva estatísticas equilibradas; foram sete vitórias do Barcelona (em especial, o 6–0 de 2007, o 6–1 de 2008 e o 5–2 de 2009) e seis do Atlético ao longo da década de 2000. Os madrilenhos, que chegaram a ter cinco jogos seguidos sem perder do Barcelona entre 2004 e 2006, puderam ter vitórias como o 3–0 de 2003, o 3–1 dentro do Camp Nou em 2006, o 4–2 de 2008 e o 4–3 de 2009.
O clássico se torna continental A década de 2010 começou com o Atlético de Madrid vencendo a Liga Europa da UEFA de 2009–10. Porém, o clube chegou a ver-se ameaçado de novo rebaixamento na temporada espanhola de 2011–12, recuperando-se na segunda metade a partir da chegada de Diego Simeone como treinador. Simeone também veio a ser o elo do time campeão de 1996, quando ainda jogava, com os dois títulos seguintes do Atleti em La Liga, pelas temporadas 2013–14 e em 2020–21. A conquista em 2014 deu-se em concorrência com o Barcelona até a rodada final, com o empate em 1–1 no Camp Nou sendo suficiente para o campeonato voltar a ser vencido pelo Atlético após dezoito anos. Diego Godín marcou o gol que valeu esse título. Na mesma temporada da reconquista nacional, o clube da capital também pôde eliminar os catalães na Liga dos Campeões da UEFA de 2013–14, que marcou os primeiros clássicos entre Atlético e Barcelona válidos por essa competição. Uma temporada depois, o duelo novamente serviu para definir matematicamente o campeonato, sendo a vez do Barcelona sagrar-se campeão no estádio adversário: Lionel Messi marcou o único gol do encontro no estádio Vicente Calderón. Ao longo da década, os dois times também travaram a Supercopa da Espanha em 2013, com dois empates, e voltaram a se enfrentar na Liga dos Campeões na temporada 2015–16, com nova classificação do Atlético. A frequência de placares volumosos diminuiu até duas semifinais seguidas na Copa del Rey, já na década de 2020: 4–4 em 2025 e então uma vitória de 4–0 do Atlético em fevereiro de 2026 quase ser revertida no jogo da volta, vencido por 3–0 pelo Barcelona em março. Em abril, os dois clubes então se reencontraram pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões da UEFA de 2025–26. Pela terceira vez, o Atlético acabou se classificando. À altura de 2026, quando Simeone completou quinze anos como treinador do Atlético, o clube pôde comemorar oito diferentes títulos no período, que incluíram também a Liga Europa da UEFA de 2017–18 e dois diante do Real Madrid, na Copa del Rey de 2012–13 e na Supercopa da UEFA de 2018. Com isso, os jogos contra o Barcelona também ganharam atenção especial, com o duelo recebendo crescentemente desde a década de 2010 o apelido de El Otro Clásico; pouco após o fim da temporada 2025–26, houve ácidas farpas públicas da parte do Atlético contra o interesse do rival em Julián Álvarez: a equipe madrilenha, causando surpresa pelo tom incomumente agressivo, rechaçou negociações elaborando uma sucessão de comunicados irônicos emendados com denúncia de aliciamento e referências implícitas ao Caso Negreira.
Recordes O jogador com mais partidas no duelo, com 42 ao todo (todas pelo Atlético de Madrid), é Koke. O primeiro desses jogos foi justamente a estreia dele como futebolista na equipe principal do Atleti. Do lado do Barcelona, o recordista de participações é Lionel Messi, com trinta. Messi também é o maior artilheiro do clássico, com 26 gols. O futebolista do Atlético com mais gols no clássico é Paco Campos, com 12 gols entre 1938 e 1948, seguido pelos 8 gols de Fernando Torres. A maior goleada do clássico ocorreu por duas vezes, em vitórias de 8–1 do Barcelona pela semifinal da Copa del Rey em 7 de junho de 1953 e pelas oitavas-de-final desse mesmo torneio em 1o de maio de 1957. Por La Liga, a vitória mais dilata se deu em 20 de maio de 2007, em pleno estádio Vicente Calderón. A vitória mais dilatada do Atlético ocorreu em 13 de abril de 1941, em 6–0 pela Copa Copa Presidente de la Federación Española de Fútbol. Por La Liga, o triunfo volumoso com mais gols rojiblancos por mais gols de diferença ocorreu nos 5–2 de 10 de maio de 1998 e, na Copa del Rey, foi em dois 4–0: o das quartas-de-final em 12 de abril de 1989 e o da semifinal de 10 de fevereiro de 2026. Os clássicos com mais gols foram o 6–4 do Atlético em 17 de setembro de 1950 e o 7–3 do Barcelona em 23 de setembro de 1953, ambos por La Liga.
Nos dois clubes
Jogadores Ao todo, 42 futebolistas estiveram tanto no Atlético de Madrid como no Barcelona, desconsiderando-se amistosos. Símbolo máximo do rival em comum, o argentino Alfredo Di Stéfano realizou amistosos pelas duas equipes, além de ter defendido profissionalmente também o Espanyol, mas não é considerado na listagem oficial. Os primeiros a jogar por ambos realizaram a troca no mesmo ano. Victoriano de Santos que defendeu o Atlético de 1928 a 1933, o Barcelona entre 1933 e 1934 e novamente o Atlético de 1934 a 1939. Ángel Arocha fez o caminho inverso: jogava no Barcelona desde 1928 e em 1933 passou ao Atlético, onde parou de jogar, em 1936. José Arana, jogador do Barcelona entre 1934 e 1935, defendeu o Atlético entre 1941 e 1942, com José García-Nieto fazendo exatamente o inverso. Miguel Ángel Valcárcel jogou no Atlético entre 1935 e 1936 e então no Barcelona entre 1939 e 1940. Luis Miranda teve a particularidade de ter defendido também o Real Madrid, em 1939, ano em que passou ao Barcelona, clube que defendeu até 1940 e o qual trocou em 1941 pelo Atlético. Fernando de Argila defendeu o Barcelona de 1941 a 1943 e o Atlético entre 1951 e 1952; José María Martín jogou no Barcelona de 1950 a 1953, passando o Atlético, seu clube até 1956. O paraguaio Eulogio Martínez esteve no Barcelona de 1955 a 1962 e então no Atlético entre 1964 e 1965. Ramón de Pablo Marañón defendeu inicialmente o Atlético de 1956 a 1958 antes de dois ciclos no Barcelona, de 1960 a 1962 e entre 1963 e 1964. Gonzalo Díaz Beitia se afirmou primeiro no Athletic Bilbao, vencendo a Copa nacional em 1958. Rumou em 1960 ao Barcelona, sem superar a concorrência com Zoltán Czibor. Permaneceu na Catalunha até 1961 e, em 1963, juntou-se ao Atlético, seu clube até 1964. Ali, foi atrapalhado pela concorrência com Enrique Collar. O angolano Jorge Mendonça esteve no Atlético entre 1958 e 1967, rumando na sequência ao Barcelona, até 1969. Jogador da Seleção Portuguesa, Mendonça destacou-se como finalista da Recopa Europeia por ambos os clubes. Também é considerado o primeiro português a disputar a jogar na primeira divisão de outro país europeu, o primeiro português a ser campeão em outra liga europeia e o primeiro a marcar gol em uma final continental por uma equipe estrangeira, além de primeiro português do Barcelona. Marcial Pina jogou no Barcelona entre 1969 e 1977 e então no Atlético de 1977 até 1980. O goleiro Miguel Reina jogou no Barcelona de 1966 a 1973, seguindo ao Atlético até 1980. Campeão nos dois times, também foi contemplado com o Troféu Zamora como jogador de ambos. Seu filho, o também goleiro Pepe Reina, começou a carreira no Barcelona. Juanjo Enríquez esteve no Barcelona entre 1977 e 1978 e no Atlético de 1981 a 1984, período em que Enrique Morán defendeu o Barcelona. Morán, por sua vez, esteve no Atlético dali até 1985. Jesús Landáburu jogou no Barcelona de 1979 a 1982 e pelo Atlético de 1982 a 1989. Marcos Alonso Peña teve a singularidade de ser filho e pai de jogadores do Real Madrid. Seu pai foi Marquitos, autor inclusive de gol na primeira final da Liga dos Campeões, em 1956. Apesar disso, Alonso Peña teve idas e vindas pelos dois rivais; defendeu Atlético de 1979 a 1982, o Barcelona de 1982 a 1987 e novamente o Atlético de 1987 a 1989, além de ser também técnico do clube, entre 2000 e 2001. Ainda assim, seu filho, Marcos Alonso, formou-se no Real, embora tenha posteriormente vindo a jogar no Barcelona. Os três compõem a família com mais jogos da Seleção Espanhola. Julio Alberto foi colega de alguns nomes acima em ambos os clubes. Esteve no Atlético de 1977 a 1982 e no Barcelona de 1982 a 1987. Julio Salinas, Eusebio Sacristán, e Juan Carlos tiveram a particularidade de defenderem o Atlético antes de serem colegas no Barcelona do técnico Johan Cruijff. Salinas renomou-se primeiramente nos últimos títulos espanhóis do Athletic Bilbao, de onde foi adquirido pelo Atlético em 1986, rumando ao Barcelona em 1988. Eusebio defendeu o Atlético a partir de 1987 e passou ao Barcelona também em 1988. Juan Carlos esteve no time de Madrid entre 1989 e 1991, quando chegou no Barcelona. Ele e Salinas permaneceram até 1994 no clube catalão e Eusebio, até 1995. O alemão Bernd Schuster conseguiu o feito de ser ídolo e campeão nos três principais clubes espanhóis. Esteve no Barcelona na maior parte da década de 1980, entre 1980 e 1988, com desavenças com dirigentes levando-o a acertar com o Real Madrid em 1988. Na capital, tornou a intercalar grande desempenho com desentendimentos com os diretores e novamente optou por ir diretamente a um rival, reforçando em 1990 o Atlético, seu clube até 1993. O lateral Miquel Soler, por sua vez, pôde defender os dois times de Madrid e nos dois de Barcelona. Destacado membro do Espanyol vice da Liga Europa de 1987–88, foi negociado com o Barça no mesmo ano; as 400 milhões de pesetas envolvidas no negócio eram inclusive consideradas astronômicas para a época. Permaneceu inicialmente até 1991 no Camp Nou, passando então uma temporada no Atlético. Defendeu o Barcelona por mais uma temporada e esteve no Real Madrid entre 1995 e 1996. Delfí Geli, Pablo Alfaro, Lluís Carreras e Sergi Barjuan todos defenderam primeiramente o Barcelona (respectivamente, de 1989 a 1991; entre 1992 e 1993; entre 1993 e 1994; e de 1993 a 2002) e depois o Atlético (respectivamente, de 1994 a 1999; entre 1996 e 1997; em 2002 e 2003; e de 2002 a 2005). Luis García teve dois ciclos no Atlético, entre 2002 e 2003 e entre 2007 e 2009, defendendo entre eles o Barcelona (entre 2003 e 2004). Santiago Ezquerro, por sua vez, foi prospectado de times bascos pelo Atlético em 1996. A partir de 1998, jogou pelo Athletic, sendo mais associado à equipe de Bilbao ao permanecer nela até 2005, quando então foi contratado por uma temporada pelo Barcelona. Também na década de 2000, numerosos estrangeiros estiveram nos dois: o italiano Demetrio Albertini (no Atlético entre 2002 e 2003, jogou em 2005 no Barcelona), o português Simão Sabrosa (no Barcelona entre 1999 e 2001 e no Atlético de 2007 a 2010) e o ítalo-brasileiro Thiago Motta (no Barcelona de 2001 a 2007 e no Atlético até 2008). Entre as décadas de 2010 e de 2020, os estrangeiros se tornaram a maioria dos jogadores contratados por ambos: David Villa, o turco Arda Turan, o francês Antoine Griezmann, o uruguaio Luis Suárez, o argentino Sergio Agüero, o português João Félix, o neerlandês Memphis Depay, o francês Clément Lenglet, e Rodri.
Treinadores O técnico dos dois primeiros títulos do Atlético de Madrid em La Liga foi Ricardo Zamora, no bicampeonato de 1939–40 e 1940–41. Ainda como jogador, Zamora tivera destaque tanto no Barcelona como em seus outros dois rivais, por Espanyol e Real Madrid. O primeiro a treinar tanto Atlético (entre 1935 e 1936) como Barcelona (entre 1944 e 1947), contudo, foi Josep Samitier. Curiosamente, como jogador, Samitier também havia defendido Barcelona e Real Madrid, a exemplo de Zamora. Foi dele o primeiro gol da história dos duelos entre Barcelona e Atlético. Nascido na Argentina e criado entre Marrocos e França, Helenio Herrera venceu La Liga pelas duas equipes na década de 1950. No Atleti, obteve o terceiro e o quarto títulos espanhóis (nas temporadas 1949–50 e 1950–51), no último bicampeonato seguido que o clube logrou até hoje, que também fizeram do Atlético uma equipe mais vencedora do que o Real (até então com dois títulos espanhóis) por alguns anos. Também venceu, sobre o próprio Barcelona, a Copa Eva Duarte de 1951. No Barcelona, ficou inicialmente de 1958 a 1960, sendo também bicampeão espanhol seguido, isolando na época este clube como maior vencedor do torneio até então. Herrera naquele período também obteve em 1958 a primeira edição da Copa das Feiras e comandou o Barça na maior parte do título da segunda edição. Regressou entre 1979 e 1981 e obteve a Copa del Rey em 1981. O eslovaco Ferdinand Daučík era cunhado do astro László Kubala, que acertou com o Barcelona precisamente pela diretoria aceitar que Daučík fosse o técnico. Ele foi o treinador barcelonista derrotado por Helenio Herrera em 1951 naquela Copa Eva Duarte, o torneio que então funcionava como Supercopa da Espanha. Vencedores da Copa nacional em 1951, Daučík e Kubala puderam obter juntos tanto a Copa como La Liga das temporadas 1951-52 e 1952-53, vindo Daučík a ser campeão espanhola também com o Athletic Bilbao antes de ter rápida passagem no fim daquela década de 1950 pelo Atlético. Ele também treinou outro rival do Barça, o Espanyol, entre 1970 e 1971. Ex-jogador do Barcelona, Domènec Balmanya treinou o time vencedor da Copa nacional em 1957 e pela maior parte da primeira Copa das Feiras. Em 1966, treinou um Atlético campeão espanhol. Formado como futebolista no Real Madrid, Luis Aragonés tornou-se um dos maiores ícones do rival Atlético enquanto ainda jogava. Venceu três vezes La Liga como jogador e foi dele o gol quase decisivo na final da Liga dos Campeões de 1973–74. Assumiu o clube como treinador pouco depois, sendo o técnico da conquista da Copa Intercontinental de 1974. Teve diversos outros ciclos treinando o clube, obtendo o campeonato em 1977, a Copa del Rey em 1976, 1985 e 1992 e o regresso à primeira divisão em 2002. Como treinador, também esteve no Barcelona, entre 1987 e 1988, temporada em que venceu a Copa del Rey. Aragonés também treinou outro rival barcelonista, o Espanyol, entre 1990 e 1991, antes de estar nos dois lados do Dérbi da Andaluzia - treinando Sevilla e Real Betis na década de 1990. O argentino César Luis Menotti, treinador vencedor da Copa do Mundo FIFA de 1978, trabalhou no Barcelona entre 1983 e 1984 (ganhando em 1983 a Copa del Rey, a Copa da Liga Espanhola e a Supercopa da Espanha) e no Atlético entre 1987 e 1988. José Luis Romero, enquanto jogador, defendeu o Barcelona e o rival Espanyol na década de 1970. Como treinador, foi técnico barcelonista interino em 1983 e da equipe B posteriormente. No Atlético, foi técnico por duas partidas em 1994. O sérvio Radomir Antić se tornou o único a treinar os três principais clubes espanhóis. Iniciou a década de 1990 à frente do Real Madrid, sem impedir os títulos do Barcelona de Cruijff. Foi reconhecido sobretudo no Atlético, como o treinador da histórica temporada do doblete, com os títulos de 1996 tanto em La Liga como na Copa del Rey. Assim, foi requisitado às pressas em 2000 para tentar evitar o rebaixamento, o que não se mostrou possível. Em 2002, Antić então passou pelo Barcelona, afastando a ameaça de rebaixamento sentida no trâmite inicial de La Liga de 2002–03 e promovendo a estreia de Andrés Iniesta no time principal.
Ver também Clássico (futebol)
Referências