Alfredo Henrique

Moradores relatam que policiais militares estariam abordando crianças no momento em que eram lavadas para a escola na zona sul de São Paulo

Alfredo Henrique

25/09/2026 10:41

Arquivo Pessoal

Moradores da Favela de Paraisópolis denunciam que policiais militares revistaram crianças, no momento em que eram lavadas para a escola, durante uma ação de combate ao crime organizado, deflagrada no início da manhã desta sexta-feira (25/9) na zona sul paulistana.

A coluna colheu relatos nos quais moradores afirmam que, desde o início da manhã, PMs passaram a revistar toda e qualquer pessoa que entra ou sai da comunidade, cujos acessos foram bloqueados — afetando o trânsito na região.

“Tô horrorizada com isso, falta de respeito com a gente, com as crianças no carro [escolar]. Monitor ter que ir buscar criança a pé… pedindo [policiais] para os meninos abrir a mochila, para ver se tem algo dentro da mochila, falta de respeito. As crianças todas nervosas dentro da perua, pelo amor de Deus gente, onde a gente vai parar desse jeito?”, afirmou uma monitora de transporte escolar.

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Policiais realizaram operação de combate ao crime organizado em favela
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Tropa de choque participou de ação
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Moradores foram abordados e revistados ao sair e entrar de comunidade
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Acessos de favela foram monitorados por policiais
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PM aborda perua escolar
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Peruas escolares paradas na rua
Por conta da dificuldade em ingressar na favela, grande parte das peruas de transporte escolar foi estacionada no entorno da comunidade. Monitores então foram buscar as crianças, ou aguardaram a chegada delas, conduzidas por pais ou responsáveis.
Parte das abordagens às crianças teria ocorrido quando elas eram conduzidas até as peruas escolares, estacionadas fora da favela. Outras teriam ocorrido com elas já embarcadas nos veículos.
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A Secretaria da Segurança Pública (SSP) apurava as denúncias, até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
Mão na marmita
Além disso, moradores que madrugam para ir trabalhar também denunciam que, durante as abordagens, alguns policiais teriam até exigido a abertura de marmitas.
“Trabalhador tendo que ver, 5h, policial tacando a mão dentro da marmita, dentro da comida dos morador, dos trabalhador”, relatou uma moradora.
Uma jovem, cuja marmita teria sido manuseada por um policial durante a abordagem, afirmou que iria descartar a refeição, por receito de contaminação.
Ação com drones e helicóptero
Em nota, a SSP afirma que a ação desta sexta mobilizou 174 policiais 61 viaturas, 16 cães, além de drone e helicóptero “para ampliar o monitoramento e a resposta das equipes”.
Até a publicação desta reportagem, um foragido por roubo, no Paraná, havia sido preso.
Coordenada pelo 16º Batalhão da PM, a operação conta com militares dos Batalhões de Choque, Canil, e da Companhia de Ações Especiais Oeste.


