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Míriam Leitão

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Presidente Trump diz que está acompanhando a eleição brasileira “muito de perto” e que é uma “eleição muito importante”. — Foto: Redes sociais
As eleições brasileiras não acabam no próximo dia 25 de outubro, quando acontece o segundo turno da votação para a Presidência da República. A definição do cenário político brasileiro, que viu uma onda da direita tomar o Legislativo, vai ganhar contorno a mais de sete mil quilômetros de Brasília, em 3 de novembro, quando se realizam as votações de meio de mandato nos Estados Unidos, alerta o cientista político Carlos de Melo, do Insper.
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— A eleição de meio de mandato nos Estados Unidos funcionará como um terceiro turno para as eleições no Brasil. Se Donald Trump sair perdedor, pode atenuar essa pressão da extrema direita no país; se ele ganhar, potencializa — afirma Melo.
Trump chega às eleições com aprovação em sua mínima histórica: 32% dos americanos aprovam o governo do republicano. O percentual cai para 24% entre eleitores de origem hispânica.
- Segundo turno: O eleitor terá agora a única chance nesta campanha de conhecer as ideias e as propostas dos candidatos
A imprensa internacional tem analisado a eleição brasileira como decisiva para o futuro da América Latina, que vive sob uma nova onda de pressão americana sob a rebatizada Doutrina Donroe, com a qual o presidente americano busca retomar a influência e a interdependência dos países da região.
Em reportagem publicada neste domingo, o jornal britânico The Guardian ressalta que "o Brasil é um dos poucos países latino-americanos que ainda tem um governo de esquerda, após uma onda de vitórias eleitorais de direita e extrema direita em toda a região e a tomada do poder pelos EUA na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro". O jornal ainda menciona o fato de Lula se posicionar como um dos últimos líderes regionais ainda dispostos a dizer "não" a Trump. O texto cita o fato de ele ter acusado o líder americano de tentar interferir nas eleições brasileiras em favor de Bolsonaro.
- Entenda: O mercado financeiro comemora mesmo sem saber as ideias fiscais de Flávio Bolsonaro
Na última semana, a Polícia Federal abriu um inquérito sobre a possível interferência dos Estados Unidos na eleição a partir de reportagem do mesmo The Guardian, que informou que o governo dos Estados Unidos teria destinado cerca de R$ 5,2 milhões por meio do projeto "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil".
Nesta segunda-feira, o presidente americano que já tinha declarado que acompanhava "muito de perto" a eleição brasileira, afirmou que o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno representava uma "grande vitória", mas ponderou que a briga no segundo turno será acirrada. O candidato do PL encerrou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, contra 45% de Luiz Inácio Lula da Silva, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos.
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