Da guerra fria à hegemonia econômica mundial: o que está por trás da nova disputa pela Lua

EUA lideram a corrida espacial e pretendem pousar no satélite até 2028; China e Índia também estão no páreo. Crédito: Edição: Júlia Pereira

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PEQUIM - Os governos da China e da Rússia condenaram na manhã desta terça-feira, 15, a iniciativa dos Estados Unidos de colocarem armas em órbita da Terra. O anúncio foi feito ontem pela Força Espacial dos EUA, que citou tanto Pequim quanto Moscou como ameaças.

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Os dois rivais de Washington criticaram o que chamaram de militarização do espaço sideral. “Pedimos que o lado americano pare de ampliar suas capacidades militares e de se preparar para a guerra no espaço sideral”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Gou Jiakun.

“Há um amplo consenso internacional para continuarmos trabalhando em prol da completa desmilitarização do espaço”, afirmou, por sua vez Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin.

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Ao anunciar a nova capacidade americana, a citou China e Rússia como e afirmou que os dois países vêm desenvolvendo tecnologias para operações no espaço e contra satélites.

Secretário da Força Aérea, Troy Meink, discursa durante a cerimônia de formatura da Academia da Força Aérea dos Estados Unidos, no Falcon Stadium; EUA disseram ter colocado armas na órbita da Terra Foto: Matt Rourke/Pool AP via AP
A Força Espacial informou na segunda-feira, 14, que colocou em órbita “armas de controle espacial capazes de se defender (...) contra ações hostis de adversários”. O secretário da Força Aérea, Troy Meink, não revelou qual é o tipo de armamento nem deu detalhes sobre seu funcionamento. Segundo o The Washington Post, foi a primeira vez que os Estados Unidos reconheceram ter uma capacidade ofensiva própria no espaço.
Um funcionário americano ouvido pelo jornal sob condição de anonimato afirmou que a capacidade pode incluir a destruição de um satélite inimigo caso ele seja usado para atacar tropas ou equipamentos dos Estados Unidos.
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Os Estados Unidos também desenvolvem uma rede de mísseis baseados no espaço que deve integrar o futuro sistema de defesa antimísseis Golden Dome, o Domo de Ouro.
Meink não explicou por que Washington decidiu divulgar a nova capacidade neste momento. “Há muitos fatores envolvidos na forma como falamos sobre essas coisas”, disse. Em seguida, afirmou que o anúncio é importante “do ponto de vista da dissuasão” e que a nova arma servirá para proteger as forças americanas contra “ações hostis de adversários”.
Segundo a Força Espacial americana, a China “desenvolve e opera capacidades espaciais e antiespaciais como parte de uma estratégia de modernização militar”. Em relação à Rússia, afirmou que Moscou “considera o espaço como um domínio de combate e acredita que a supremacia espacial será um fator decisivo nos conflitos futuros”.
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Disputa no espaço
A disputa militar no espaço não é recente. Depois que a União Soviética lançou o Sputnik, primeiro satélite artificial do mundo, em 1957, Estados Unidos e Moscou passaram a desenvolver tecnologias para equipar e destruir satélites.
Uma das principais preocupações naquele período era a possibilidade de instalação de armas nucleares no espaço. Em 1967, Estados Unidos, União Soviética e outros países assinaram o Tratado do Espaço Sideral, que proíbe a colocação de armas de destruição em massa em órbita.
O tratado, porém, não impede todas as formas de atividade militar no espaço. Nas últimas décadas, Estados Unidos, Rússia, China e Índia desenvolveram capacidades para interferir ou atacar satélites, que são essenciais para comunicações militares, vigilância e navegação.
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Segundo o Washington Post, China e Rússia vêm realizando há anos operações que podem ameaçar satélites americanos, incluindo o uso de lasers e de interferência eletrônica. A confirmação de uma arma americana em órbita ocorre nesse contexto de crescente disputa estratégica entre as potências. /AFP
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